sexta-feira, 23 de novembro de 2018

HOW Star Ratings - WWE Survivor Series 2018

Olá galerinha da House of Wrestling, aqui quem escreve para vocês é Josué Elias, colunista da HOW, trazendo mais um HOW Star Ratings, e dessa vez analisando e avaliando os combates que aconteceram no WWE Survivor Series 2018 que ocorreu no último Domingo, dia 18 de Novembro. Então, sem mais enrolações, vamos às análises:



Women's 5-on-5 Tag Team Elimination Match: Team Raw (Mickie James, Nia Jax, Bailey, Tamina & Sasha Banks) (w) vs. Team SmackDown (Carmella, Asuka, Naomi, Sonya Deville & Mandy Rose) - 2.75


Storytelling: 0.50
In-Ring Execution: 0.75
Match Psychology: 0.50
Timing: 0.50
Innovation: 0.50

Resultado de imagem para women's survivor series match 2018

Resultado: Começamos a noite com muita beleza e talento, como diria nosso ilustre Marco Alfaro. Ainda assim, não começamos tão bem, na minha visão. A WWE queria fazer uma noite histórica, colocando o Raw para ter 6 vitórias por unanimidade. Pelo conjunto da obra, esse resultado fica menos desastroso, mas ainda o considero como um desastre. Primeiro porque quem foi até o final foi a Nia Jax. Preferia mil vezes que ela tivesse saído logo de cara, com o time SmackDown focando todos os seus esforços em tirá-la. Não aconteceu, e ainda por cima, fizeram ela tirar esse momento glamoroso que estávamos vendo, que era o enfrentamento entre Sasha Banks e Asuka. O pior fica por conta do fato de que a Asuka sofreu o pinfall, e para um único Samoa Drop da Nia Jax. Novamente a WWE teima em insistir em falhas de lógica simplórias. Com exceção de Goldberg, todo lutador que tem uma Streak de vitórias longa, a partir da primeira derrota, DO NADA, enfraquece, como se existisse uma poção mágica de enfraquecimento após a primeira derrota ou como se as derrotas fossem um simples efeito dominó. Basta vir a primeira que as outras vem logo em sequência, uma atrás da outra. Ou seja, ela passa quase 3 anos na empresa vencendo absolutamente tudo sem sofrer um único pinfall. De repente, ela sofre seu primeiro pinfall pela Charlote na WrestleMania, e desde então, em menos de um ano, ela já sofreu três pinfalls, sendo dois deles pela Carmella. E nem preciso dizer que essas falhas de lógica acontecem de maneira frequente com vários outros Wrestler's. Basta lembrar o que era o Rusev antes da sua Streak de vitórias e ver como ele está agora, depois da Streak. 

Algumas outras coisas absurdas aconteceram também nesse combate. Primeiro, Tamina elimina a Naomi. Sério isso? A Tamina eliminando a Naomi? Eu sinceramente nem sei como a Tamina ainda está na WWE, com todo o respeito. Um roster recheado de talentos, com mulheres brigando pelo seu espaço, e temos que aturar a Tamina ainda? Depois disso, apesar de achar legal esse pouco de destaque que foi dado à Mandy Rose, que é bastante talentosa e jovem, no início do combate, fazer ela eliminar a Mickie James foi bastante questionável. A 6 vezes campeã virou o que desde o seu retorno? Até agora o ponto mais alto do retorno dela foi virar capacho da Alexa Bliss. Mas ainda assim, não é tão mal que a Mickie perca, já que ela está sendo meio que um Chris Jericho em fim de carreira pensando na sua banda do roster feminino. A Carmella eliminou a Tamina, o que foi bom e ruim. Bom porque a Tamina foi eliminada, mas ruim porque foi a Carmella que eliminou. Para mim, Tamina e Carmella podem se abraçar felizes indo embora da WWE com direito a pé na bunda do Vince McMahon gritando ''You are Fired''. Bailey eliminando a Carmella foi um dos momentos mais felizes da minha vida, que já veio logo com um presente em seguida, com a Sasha eliminando a Mandy Rose. Depois a Bailey e a Sonya foram eliminadas juntas por ficarem 10 segundos fora do ringue, o que eu achei uma sacada inteligente para apressar o combate devido ao curto tempo para a sua execução, e para eliminar Bailey sem grandes danos à sua credibilidade. 

Combate: Tecnicamente, o combate foi até surpreendente. O que atrapalhou bastante foi o curto tempo pro mesmo se desenvolver. 20 minutos para fazer 9 eliminações faz com que todas as ações dentro do ringue sejam muito apressadas. E não deu outra. Mesmo tenhamos tido uma boa apresentação no geral, tirando uma ou outra lutadora num dia não tão inspirado (ou porque são ruins mesmo, como no caso da Nia Jax, Sonya Deville e Tamina), era difícil desenvolver um enredo pro combate que abarcasse todas as personalidades ali presentes para construir sentido para cada movimento. Muitas escolhas para a confecção desse enredo foram bastante equivocadas. Num dos poucos momentos em que estávamos tendo algo realmente mágico (a luta entre Asuka e Sasha), esperando pela sua definição, escolheram encerrar o momento com a interrupção sem sentido, desnecessária e broxante da Nia Jax. Se a interrupção servisse ao menos para que um bom enfrentamento continuasse entre Nia e Asuka, até seria válido, mesmo que fosse difícil tirar algo mágico da Nia. O problema é que resolveram fazer a Nia vencer logo em seguida de forma completamente anti-climática. 

Champion vs. Champion Single Match: Seth Rollins (w) vs. Shinsuke Nakamura - 4.00


Storytelling: 0.75
In-Ring Execution: 0.75
Match Psychology: 0.75
Timing: 1.00
Innovation: 0.75


Resultado: Dentro do que construído pros dois personagens nesse ano, e tentando calcular um possível Overall especulativo de cada um, a única vitória que fazia sentido era a de Seth Rollins, mesmo que estivessem tentando vender um certo equilíbrio na luta. Enfraqueceram bastante o Nakamura depois que ele fez Heel Turn, ainda que esse processo de enfraquecimento do personagem viesse sendo constante desde que ele pisou no Main Roster. A vitória no Royal Rumble deu um up muito grande pro japonês, mas a decadência voltou a ser regra depois das sucessivas falhas em tirar o cinturão do AJ Styles. O título americano serviu para consolar o japonês preferido da galera, só que comparado ao que Seth fez no ano, em termos de feitos dentro da Kayfabe, tirando o Royal Rumble (que parece ter sido um evento bastante isolado na trajetória do Nakamura), ele fica bem atrás. 

Combate: Conseguiram entregar algo muito interessante pro público em vista do que era possível entregar. O público não se empolgou tanto quanto poderia com o combate, e isso abafou um pouco as possibilidades de que ele fosse além do que já esperávamos. Mas com certeza não foi por incompetência dos Wrestler's que ali estavam presentes. Cada um com seu estilo contrastante um do outro, criaram uma química na progressão técnica dos movimentos e interagiram dentro do que era natural e razoável pros personagens. Nakamura tentava brecar o Seth enquanto Seth tentava ditar ritmos mais acelerados. Essa instabilidade no ritmo da Match soou um pouco desarmônico demais, o que pode ter sido relevante pro público se calar em muitos momentos e guardar as vibrações pras principais quedas. Mas essa quebra de ritmo muitas vezes era bem executada pelo Nakamura pela forte presença de palco que ele mantinha, não permitindo o combate se tornar um monólogo do Seth, como costuma acontecer de vez em quando. Seth ficou responsável por protagonizar os apogeus, através de Spots, não tão inovadores, mas sempre impactantes. Mesmo os movimentos sendo repetitivos, conseguiram criar sequências imprevisíveis, que o público não conseguia imaginar que pudesse ser feito dentro do casamento de arsenais dos dois. Isso fez com que movimentos diretos, como os Super Kicks de Seth e as joelhadas de Nakamura tivessem mais importância na extração de reação do público, que por fim, terminou na ótima sequência final, envolvendo um Kickout muito bem executado do finalizador do Nakamura por parte do Seth Rollins e numa bela revira-volta para decretar o resultado final. 

Champion's vs. Champion's Tag Team Match: Author's of Pain (Akam & Rezar) (w) vs. The Bar (Sheamus & Cesaro) - 2.00


Storytelling: 0.50
In-Ring Execution: 0.50
Match Psychology: 0.25
Timing: 0.50
Innovation: 0.20


Resultado: Quase todo mundo apostou na vitória de The Bar, e eu fui um desses. Claro que não iríamos imaginar a noite de Alemanha contra Brasil que a WWE nos proporcionou (que caso estejam curiosos, eu até gostei dessa escolha). Mas convenhamos que, para essa luta, era natural apostar em The Bar, por ser uma Tag mais experiente e consolidada do que os Authors of Pain. A forma roubada como venceram foi pouco criativa, mas vendeu bem a derrota de The Bar.

Combate: O combate foi um pouco sem sentido, principalmente o final. Não porque foi roubado ou foi um Screwjob genérico. Mesmo sendo mais um Screwjob pouco criativo da WWE, o problema foi que, aquele final com o Big Show rindo do Maverick se mijando nas calças (isso sim foi criativo), fez com que ele simplesmente fosse sair rindo pro lado, e tanto ele, quanto Cesaro e Sheamus se distraíssem quando estavam com clara vantagem, e ficassem numa lerdeza muito mal atuada, a ponto de entregar a vitória, sem qualquer tipo de interferência do Big Show que teve tempo mais que o suficiente de se recompor da risada, e do Cesaro que levou um simples empurrão do impacto que teve com o Sheamus. Provavelmente, perderam o Timing da execução de toda a cena e executaram muito mal o que era proposto executar. A única execução boa ali foi o finalizador e a mijada do Maverick, só! 

WWE Cruiserweight Championship Match: Buddy Murphy (c) (w) vs. Mustafa Ali - 4.00


Storytelling: 0.50
In-Ring Execution: 1.00
Match Psychology: 0.50
Timing: 1.00
Innovation: 1.00


Resultado: Eu gosto e desgosto do Mustafa Ali. Salvo ele ser um grandíssimo Wrestler e High Flyer, ao meu ver, existem muitos outros Wrestler's melhores do que ele nesse estilo. Mas o que me incomoda nele é que ele é muito pouco carismático, mas paga de bom moço carismático sem carisma algum para representar esse personagem. Ele se sairia muito melhor como Heel, até mesmo pela aparência e ''jeitinho''. Buddy, muito pelo contrário, tem carisma, tanto como Face, tanto como Heel. Só que ao contrário do Ali, ele não tem tanto talento em ringue, embora seja mais consistente no Ring Work e no Carry. Como personagem parece mais completo, e acho bom que ele mantenha o título. 

Combate: Os movimentos do combate foram quase todos muito genéricos e sem propósitos. Não passou de um Flyppy Shit muito bem executado mas sem tanta organização em volta de um enredo interessante. Serviu para entreter o público, que dentro do padrão da Divisão, teve uma boa reação. Basicamente tentaram jogar na nossa cara o máximo de movimentos difíceis possíveis, com alto grau de exigência técnica, até construir sequências suficientes para que fossem até o fim gastado quase todo o arsenal de cada um, pelo menos no que tange os golpes principais. O ritmo permaneceu intenso, e conseguiram manter ele em harmonia com a progressão de cada etapa do combate até o fim. 

Men's 5-on-5 Tag Team Elimination Match: Team Raw (Braun Strowman, Bobby Lashley, Drew McIntyre, Dolph Ziggler & Finn Balor) (w) vs. Team SmackDown (Shane McMahon, Jeff Hardy, Rey Mysterio, The Miz & Samoa Joe) - 3.50


Storytelling: 0.75
In-Ring Execution: 1.00
Match Psychology: 0.75
Timing: 0.50
Innovation: 0.50


Resultado: Analisando friamente os nomes, a vítória estava escancarada. De um lado tínhamos três monstros (Braun, Lashley e Drew), um superestimado (Balor) e um subestimado (Ziggler). Do outro tínhamos um monstro que não bota medo em mais ninguém (Samoa Joe), um Heel fracote que só ganha roubado (The Miz), dois semi-aposentados que não ganharam muita coisa na carreira (Rey Mysterio e Jeff Hardy) e um que deveria estar aposentado em vez de ficar ocupando o lugar do AJ Styles (Shane). Time Raw deveria ter ganhado e com sobras, como aconteceu.

Mas nem tudo são flores, e tiveram muitas escolhas equivocadas aqui também. Primeiro e óbvio, a pipocada do Samoa Joe. O cara que chegou a bater de frente com o Brock Lesnar, que quase tirou o título de AJ Styles, um nome consagrado na ROH e no NXT, perdeu em menos de 1 minuto pro Drew, um nome muito menor que Joe na história do Pro Wrestling. Para mim foi até um desrespeito ao Joe. Eu no lugar dele assinaria meu pedido de demissão ali, sem mais nem menos. Deixar o Shane McMahon por último do time do SmackDown e fazer essa papelada com ele ao mesmo tempo é cúmulo de todos os absurdos possíveis. Depois disso tivemos uma luta decente, um ótimo enfrentamento entre Balor e Rey que culminou na eliminação do Balor, que foi bem vendida. Ao que parece, também por sobreviver às investidas de Lashley, Rey Mysterio ganhou certo destaque no combate e desde seu retorno parece que a WWE está querendo consertar os erros do passado e deixar ele mais Over. Tomara que isso resulte em Push, pois o tanto que esse cara vende, luta e entretém, era para ter ganho muito mais do que já ganhou na WWE. Shane eliminando o Dolph Ziggler foi normal, até por ter tido ajuda. E elencando os integrantes do time Raw, era óbvio que ele seria um dos primeiros eliminados. 

Depois o massacre começou e o Braun Strowman eliminou o resto do time do SmackDown, empatando com Roman Reigns o recorde de mais eliminações numa Survivor Series Match em toda a história, com 4 eliminações. O que eu achei? Forçado, mas coerente. Forçado porque sim, foi forçado. Basta assistir para entender. Não é nem por bater o recorde, e sim, pela forma como o recorde foi batido. Ele eliminou um seguido do outro como se eles fossem o Jararaca e o Ratinho. Mas coerente porque sim também. O Strowman já vinha sendo forçado como alguém forçado a muito tempo. Tanto é que ganhou no último Newsletter Awards a honraria de ser considerado o Wrestler mais superestimado, e com toda razão, do mundo do Pro Wrestling. Ele ser mais uma vez forçado é apenas a manutenção da coerência do booking em cima dele. Não que ele ser superestimado não faça sentido e não seja divertido. Ver o Strowman me lembra coisas nostálgicas como ver o Hulk destruindo uma cidade inteira. E eu amo Hulk, logo, gosto do Strowman. Mas é inegável que ele é superestimado, mesmo que faça sentido (não fazendo sentido algum) e que seja legal (não sendo legal) ele ser superestimado. Há exageros? Muitos exageros. Ele não precisava ser tão superestimado a ponto de fazer rotineiramente o que fez no Survivor Series, no Money in the Bank ou no Elimination Chamber desse ano, de lutar contra mil caras diferentes e destruir todos eles mesmo levando quatrocentos finalizadores na fuça. Strowman consegue ser mais forçado que o Roman Reigns na rivalidade contra a Liga das Nações, onde ele sozinho batia em quatro dos principais nomes da época. Strowman é uma versão do Rambo que toma bomba. Pior que ele apenas o Chuck Norris!

Combate: O combate estava sendo construído de uma forma que o final parecia que seria emocionante. Mas não foi. Muito pelo contrário, o final acabou como muitos outros finais em que Strowman está envolvido: Com ele massacrando todo mundo como se fosse um Deus da Guerra onipotente. Não me espantaria se o Strowman fosse chamado para interpretar o Kratos numa possível Live Action do jogo nos cinemas. O cara é insano, e na tentativa de barrar isso para que houvesse algum combate assistível, o time do SmackDown já se juntou logo para aplicar uma sequência de Spots nele, terminando em mais um memorável Divind Elbow de Shane McMahon em cima da mesa dos comentaristas. Com isso, não apressaram muito os acontecimentos, com exceção da absurda eliminação do Samoa Joe, e tivemos a imprevisibilidade como regra. 

O enredo nos levava para um caminho em que, com o time Raw brigando entre si, o time do SmackDown poderia tirar proveito para conseguir equilibrar o jogo, e eliminar diversos Superstars do Raw. Isso parecia ainda mais está em curso, quando dois integrantes do Time Raw foram eliminados de uma vez. Essa reação trouxe o equilíbrio necessário para criar tensão pela vitória. Infelizmente, toda essa tensão e carga emocional foi quebrada por uma escolha equivocada de fazer o Strowman acabar com o combate logo em seguida. Dentro do que o enredo pedia, Strowman poderia ter continuado a ser atrapalhado por Drew, culminado na eliminação do mesmo, sem precisar transformar o combate num massacre broxante de se assistir. 

O tempo de alguns eventos também foi pessimamente utilizado. A eliminação precoce do Joe criou uma certa empolgação, mas apressou o desfecho de maneira a não se criar uma tensão adequada pro mesmo. E as eliminações em sequência do Strowman na rapidez com que aconteceram derrubou as expectativas de um grande final. O enredo ficou com buracos sem serem resolvidos, como o Splot entre Drew e Strowman, Drew e Balor, o arco de The Miz. Faltou mais presença e finalização da função que cada personagem exercia. A única coisa que realmente se salva no combate, foram as diversas sequências bem executadas, os Spots e os movimentos que os Wrestler's trouxeram, em grande quantidade, num ritmo agradável e intenso, sem grandes modulações.

Champion vs. Champion Single Match: Ronda Rousey (w) vs. Charlotte Flair (DQ) - 4.25


Storytelling: 1.00
In-Ring Execution: 0.75
Match Psychology: 1.00
Timing: 0.75
Innovation: 0.75


Resultado: Um combate como esse terminar por desqualificação, da forma como aconteceu, é tanto estranho como empolgante. Dá um gostinho de ''quero mais'', todavia, frustra quem assiste e esperava por um final definitivo. Mas o estranho mesmo é que o surto psicótico da Charlotte em atacar a Ronda como se ela tivesse matado o pai dela foi repentino e aparentemente sem lógica. Ok! Pode-se argumentar que ela estava sofrendo uma surra (mesmo sendo um argumento equivocado) e que por ficou ''pê'' da vida com a Ronda. Ainda assim, só isso, sem nada pessoal rolando continua sendo estranho. Mas nem isso foi. O que de fato aconteceu é que as duas estavam tendo uma luta equilibrada, onde uma hora uma levava vantagem e outra hora outra levava vantagem. Charlotte simplesmente saiu da chave de braço da Ronda e surtou do nada, a atacando com objetos ilegais. Pode ser que tenha uma motivação em segredo a mais para todo esse ataque, que provavelmente será revelado e usado para uma futura rivalidade entre as duas, ao qual a WWE já jogou um pouco de expectativa nos fãs para acontecerem. E vou admitir: Funcionou. Contudo, funcionou por elas terem apresentado um grande combate, o que nos dá mais expectativas sobre como seria um combate realmente finalizado entre as duas. 

Combate: Foi incrível, e olha que foi um combate incompleto, que estava caminhando a patamares absurdos, talvez até mesmo a caminho de superar o grandíssimo combate que Charlotte e Becky Lynch tiveram. O crescimento técnico da Ronda Rousey é impressionante. Eu havia dito que antes de ontem, na análise do NXT War Games, que o Velveteen Dream era Wrestler que mais evoluiu em quesitos como Ring Skill, Move Set, Gimmick e Mic Skill nos últimos dois ou três anos. O garoto veio do nada, aprendeu tudo que tinha que aprender sobre Wrestling e hoje é um dos principais lutadores da empresa. Pois queimei minha língua, pelo menos no que tange Ring Skill. Hoje a Ronda Rousey é fácil fácil uma das melhores lutadoras de Pro Wrestling do mundo. A qualidade técnica dela é absurda, e o nível de Psicologia e Storytelling dela tem credenciais de lutadoras de mais de 10 anos de experiência, ao ponto dela fazer uma luta com a Charlotte onde dificilmente você percebe quem está carregando quem. E estamos falando nada mais nada menos que a Charlotte, uma das melhores lutadoras do mundo disparada, e para muitos, a melhor lutadora do mundo. Se eu lembrar aqui que a Ronda começou a aprender Pro Wrestling ano passado, aí que ainda mais absurdo de falar sobre essa mulher.

A complexidade do Chain Wrestling que elas protagonizaram, foi quase um nível Zack Sabre Júnior da vida. Foi impressionante em muitos níveis, nem pela variedade de movimentos, e sim, pela qualidade de aplicação, com bastante flexibilidade e agilidade nas transições, sempre com a postura consistente e fazendo aplicação de força para dar expressão de realidade sem se perder na técnica dos movimentos. E variaram entre Colar and Elbow até técnicas avançadas de Luta Greco-Romana e o mais puro Catch Wrestling Tradicional. Aos poucos, criavam expectativas para o fechamento de suas principais submissões, enquanto iam avançando para os nearfalls gradativamente, controlando a reação do público, conservando pros melhores momentos. E como o narrador dizia a todo momento, a Match se baseava bastante na fisicalidade imposta, no empreendimento da força e no ganho de ''território'' que ambas faziam para impor respeito uma da outra. O Storytelling ficou em volta dessa narrativa muito bem construída e exemplificada ação a ação, respeitando os limites da personalidade cada uma, que interagiam principalmente na base da raiva que nutriam cada vez mais que se sentiam frustradas por um golpe levado ou felizes por um golpe acertado. O equilíbrio foi a regra, e como normalmente as duas costumam dominar suas adversárias, e não estavam conseguindo fazer isso uma com outra, devido as várias revira-voltas no papel de dominância, alimentava mais e mais a raiva de cada um, até chegar ao ponto que Charlotte explode de vez, e resolve ''dominar'' a Ronda através da ilegalidade, usando objetos.

O final, apesar de passar a sensação de que o combate poderia ter rendido muito mais do que rendeu e não passar a sensação de satisfação total, foi coerente com o que vinha sendo construído no enredo, ainda que o surto da Charlotte tenha sido desproporcional ao que de fato acontecia em ringue. O pacing foi se acelerando ao longo do combate a medida que ele ganhava carga emocional, sendo um fator importante para passar pro público essa adrenalina como forma de fazer entender o contexto emocional de ambas e preparar bem pro desfecho chocante e inesperado. Por estar bem equilibrado, o pacing foi decisivo nesse sentido, o que por fim, possibilitou um franco entendimento do que se tratava o enfrentamento entre as duas. Uma disputa por dominância que as levaram até o limite físico e emocional. Alguns golpes repetitivos deram essa mesma impressão, não importando qual movimento fosse aplicado, mas como ele seria aplicado, dentro do contexto de cada ação, com as duas se estudando muito no começo e aos poucos tentando evoluir o encaixe de seus finalizadores, que quando encaixados, levaram o público à loucura. Foi tudo muito equilibrado e bem executado, de forma a ser um combate facilmente digerido pelos mais diferentes públicos, e com certeza, pelo final a que foi submetido, deixaria até o mais pessimista fã de Pro Wrestling com expectativas pro próximo reencontro entre as duas.

Champion vs. Champion Single Match: Brock Lesnar (w) vs. Daniel Bryan - 4.00


Storytelling: 0.75
In-Ring Execution: 0.75
Match Psychology: 1.00
Timing: 1.00
Innovation: 0.50


Resultado: Sim, o Daniel Bryan merecia ser surrado pelo Lesnar pelo que fez com o AJ Styles. Mas isso sou eu como torcedor fingindo que Kayfabe não existe. Reconhecendo a existência da Kayfabe, a recente troca de título de AJ para Daniel foi boa, embora tenha amplas discordâncias sobre o palco em que isso aconteceu. O Heel Turn foi algo interessante. O personagem de Daniel já não estava mais tão Over como nos velhos tempos, mas também não precisava urgentemente de uma mudança. A mudança foi apenas inesperada e chocante, não necessária, até porque, se fosse necessária, já não seria tão inesperada e chocante quanto foi. No mais pesar, Brock Lesnar surrar o Daniel era o mais óbvio e mais coerente a se fazer.

Combate: A gente já sabia que o combate seria em boa parte um monólogo do Brock Lesnar fazendo Daniel de saco de pancadas sendo jogado de um lado para o outro em plena Suplex City Bitch!!! O surpreendente nisso tudo foi a reação bastante estendida que o Daniel teve. Eu contei o tempo no relógio, e na reação que o Daniel teve, ele dominou o Lesnar por quase o mesmo tempo que o Lesnar dominou ele. Lesnar ainda assim dominou muito mais o Bryan, mas foi legal ver que em certo momento, o Daniel Bryan teve o seu monólogo, o que acrescentou bastante ao combate, posto que, o público se empolgou, os movimentos do Bryan são mais divertidos e a esperança de uma vitória dele persistiu por um tempo. Não queríamos ver somente uma Squash Match... Tá, mentira, querámos sim. Mas o fato de não ter sido somente isso, foi uma certa surpresa agradável, pois pudemos presenciar um bom combate, que convenhamos, o maior protagonista foi o público, que vibrou com cada movimentos nas etapas finais do combate, e isso conta muito.

No final, tivemos um combate infinitamente inferior tecnicamente ao da Ronda com a Charlotte, ao do Seth com o Nakamura e principalmente ao do Murphy com o Ali. Porém, o que nenhum desses combates tiveram foi o público explodindo de emoções como explodiu no final, e para muitos pode parecer surpresa, mas a participação do público faz muita diferença na qualidade de um combate, mesmo que ele seja tecnicamente inferior a outros. Lesnar e Bryan é um ótimo exemplo disso. Um combate tecnicamente melhor nem sempre é melhor. O público não se importa apenas com a qualidade do combate, mas se importa com os personagens e se envolve emocionalmente com aquilo que representa um peso maior. E por mais hater que você possa ser do Brock Lesnar, você tem que admitir que o peso de aplicar repetidamente alguns golpes simples em Lesnar vale muito mais do que mil piruetas nesse Main Roster atual. Brock Lesnar aplicando seus Suplex faz combates renderem a extração máxima que um público de WWE pode dar hoje em dia, algo que não é qualquer um que pode fazer.



Então galera, esse foi o HOW Star Ratings de hoje. Deixem suas opiniões e avaliações nos comentários, não deixem de interagir e de compartilhar essa análise com seus amigos. Nos vemos no próximo HOW Star Ratings!

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